Amérique du Sud

Impeachment prejudicaria os EUA-Democratas

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29/5/2019, Moon of Alabama

“O câncer da democracia é a lei formal controlada pela política fake-democrática, corrompida pelo ‘Governo Permanente’, codinome ‘Estado Profundo’, o qual criou e mantém a mídia-empresa liberal. Mas ‘Estado Profundo’ é expressão enganadora. Serve para não dizer q o problema ñ é qualquer suposta ‘profundidade’ de algum Estado. ‘Estados’ são sempre e necessariamente superficiais, mutáveis, transitórios, se forem democraticamente legais. ‘Profundos’, só estados legais fake. 
Mas o problema nunca é alguma lei: leis são, por definição, inventáveis, mutáveis. 

O problema é a permanência no comando do Estado – seja dito raso ou profundo, legal ou ilegal, democrático ou não –, da velha classe dos velhos suspeitos de sempre…”

(De uma conversa de bar [editada] sobre a série “Billions“, 29/5/2019, RJ, alta madrugada)

O Conselheiro Especial Robert Mueller encerrou hoje sua investigação sobre possível crime de colusão da companha de Trump, numa muito alardeada [mas jamais provada] interferência de russos nas eleições de 2016.

Mueller nada disse que ultrapasse o relatório já publicado. Mas enfatizou que seu relatório não absolve Trump de ter obstruído sua investigação. As palavras de Mueller foram:

“Se tivéssemos certeza de que o presidente claramente não cometeu crime, teríamos dito isso.”

E

“Acusar o presidente não foi opção que pudéssemos considerar.”

Há muito tempo é opinião dominante no Departamento [Ministério] da Justiça que o próprio Departamento – como parte do Executivo – não pode acusar presidente que esteja no cargo. Única entidade que pode fazer isso é o Congresso, mediante processo de Impeachment. Mueller tinha de seguir essa opinião. Agora, chutou a questão para o Congresso.

Mesmo antes da declaração de Mueller, alguns Democratas já garantiam que o processo de Impeachment viria. A fala de Mueller, hoje, será vista como apoio a essa demanda.

Mas a líder do Partido Democrata na Câmara de Deputados Nancy Pelosi tem-se negado, até aqui, a levar o movimento adiante. Pelosi teme que um processo de Impeachment só ajudará Trump na campanha eleitoral que se aproxima. 

Trump com certeza tentaria bloquear o processo, para se pôr como vítima e demonizar os Democratas. A mídia, se tiver um processo de Impeachment em andamento, trabalhará para desenterrar todas e quaisquer outras questões políticas que os Democratas tenham interesse em ver expostas. Mas já aconteceu exatamente assim com o ‘Russiagate’ ao longo dos últimos dois anos e meio. E nada disso ajudou os Democratas.

Claro que também se sabe que um processo de Impeachment poderia arranhar Trump e aumentar as possibilidades de que perca a eleição de 2020. O professor Alan Lichtman, que acertou todas as previsões desde 1984, em todas as eleições presidenciais nos EUA, usa 13 perguntas a serem respondidas com verdadeiro/falso, para avaliar se o candidato do partido no poder será reeleito. Hoje, diz o seguinte:

“Trump se reelege em 2020, a menos que seis dos 13 fatores chaves voltem-se contra ele. Não tenho conclusão, porque muita coisa pode mudar durante o próximo ano. Hoje, o presidente só mostra números insuficientes em três itens: resultados dos Republicanos nas eleições de meio de mandato; zero de sucessos na política exterior; e receptividade entre os eleitores.”

Um dos fatores chaves de Lichtman é a ‘carta’ número 9. Escândalo. O governo é colhido em escândalo de grandes proporções.

Na avaliação de Lichtman, um processo de Impeachment seria negativo para Trump:

“Os Democratas estão fundamentalmente errados na avaliação que fazem da política do Impeachment e suas chances de vitória em 2020. O Impeachment e o julgamento que se seguiria custariam pontos ao presidente num quarto critério chave – a ‘carta’ do escândalo – tanto quanto a mesma ‘carta’ tirou votos dos Democratas em 2000. O indiciamento e o julgamento também o exporiam a perder pontos em outra ‘carta’ chave, porque estimularia os que se interessem por desafiar sua re-indicação como candidato. Outras ‘cartas’ potencialmente negativas incluem a possibilidade de aparecer um desafiante carismático entre os Democratas; algum terceiro capaz de abalar as relações que se veem hoje; algum desastre na política externa; ou recessão econômica em ano de eleições. Mas também sem Impeachment as chances dos Democratas são mínimas.”

Discordo dessa ideia. Mesmo com Impeachment e com adversário na disputa pela indicação do Partido Republicano, mesmo assim Trump seria provavelmente eleito.

Não se vê no horizonte qualquer aspirante Democrata carismático. Hoje, quem lidera as pesquisas primárias são Biden, Sanders e Warren. Nenhum deles compete com a popularidade de Trump. 

Com ‘Russiagate’ com tudo, Trump ainda tem 41% de aprovação – número bastante alto para meio de mandato presidencial.

Trump também é mestre na arte de usar a mídia. Com certeza encontraria meios para virar, a seu favor, o circo do Impeachment. Facilmente saberia encontrar simples bons argumentos:

Se eu, presidente todo-poderoso de vocês todos, tivesse realmente desejado obstruir a investigação, com certeza teria obstruído.

Ou

Por que eu obstruiria uma investigação que eu tinha certeza que concluiria que sou inocente – o que, como se viu, aconteceu exatamente como devia acontecer?!

Trump inverteria o processo do Impeachment, de escândalo sobre ele, para escândalo pelo qual os Democratas são responsáveis.

Com ou sem Impeachment, os Democratas têm pouca chance de chegar à presidência. Melhor cuidarem de manter a maioria na Câmara de Deputados e tentar aumentar o número de senadores. Nenhum Impeachment será bem-sucedido, porque os Republicanos mandam no Senado e derrubarão qualquer indiciamento que passe na Câmara.

Os Democratas só vencem a eleição de 2020 se tiverem questão política realmente forte, apoiada pela maioria da população. ‘Medicare para todos’ é essa ideia para vencer

A saúde pública é A PRINCIPAL questão a resolver, para os eleitores nos EUA. Dois terços dos norte-americanos apoiam um seguro-saúde público universal e controlado pelo Estado, que cubra todas as questões básicas da saúde humana e os casos catastróficos. Quem desejar atenção cosmética, além da atenção mínima indispensável para manter a saúde humana, que compre e pague.

Mas partes significativas da liderança do Partido Democrata são contra esse tipo de sistema. Aparentemente, temem as grandes doações e todos os subornos que a indústria farmacêutica e indústrias acessórias injetará no sistema público.

Durante as eleições de meio de mandato, o instituto Gallup perguntou aos eleitores quais suas principais preocupações políticas. Mesmo depois de dois anos de incessante barulheira ‘midiática’, o caso ‘Russiagate’ foi o item que apareceu menos vezes nas respostas. Assim também, um processo de Impeachment geraria muito barulho ‘midiático’, mas realmente não faria qualquer diferença para os verdadeiros problemas que afligem os eleitores. E só faria soterrar as mensagens políticas que os Democratas têm de encontrar para oferecer aos eleitores.

Os Democratas terem abraçado o ‘escândalo dos russos’ já foi erro grave [no Brasil – embora a democracia liberal à brasileira seja infinitamente mais fraca e mais cenográfica que a democracia liberal à EUA –, o erro foi o PT ter abraçado o ‘escândalo da kurrupção’, na verdade, já desde o ataque a Duda Mendonça, em 2005 (NTs)]. Os eleitores norte-americanos pouco se preocupam com russos [no Brasil, com kurrupção]. Abraçar o Impeachment inventado em torno de acusações de ‘obstrução’, agora, seria ainda pior.*******

QNavy

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